Há perguntas cuja resposta pode ser simples ou complicada, dependendo de como foi feita e das definições que a pessoa tem.
Em 1994/95, no último ano do meu secundário, aprendi o movimento de projecteis. E com ele, escrevi um dos meus primeiros jogos de calculadora, o CPMíssil.
A imagem é umuma captura de ecrã do CPmíssíl 3.0 de Novembro de 1999 para calculadoras Casio cfx-9950G, mas as versões 1.0 e 2.0 foram escritas para uma máquina com apenas 400 bytes de memória, a Casio fx-6300G... em 1994. Aquela "vel vento" foi uma variável aleatória que juntei na versão 3
[ CPmissil não foi o meu primeiro jogo, há muitas formas extracurriculares de expor e reter assuntos: não hostilizem a tecnologia... ]
Era uma espécie de "Angry birds" com tanques. A ideia para o jogo ocorreu-me enquanto estava a estudar, como forma de testar os meus conhecimentos, melhor do que andar meramente a resolver exercícios. Funcionar, funcionou! Acabei o secundário com 20 a Física, e hoje em dia ainda domino vários assuntos da àrea...
Não vou disponibilizar o jogo -ainda corre nas calculadoras actuais- embora, vários ex-alunos meus tenham ficado com uma cópia, oferta minha.
Lembrei-me disto porque recentemente vi o código das versões 1.0 e 2.0, e ainda vi uma pergunta num grupo do facebook :
Num lançamento obliquo, se fixarmos uma velocidade, qual o ângulo que permite obter um alcance máximo?
O "alcance" é definido como sendo a distância, na horizontal, percorrida pelo projéctil. (Na imagem, a linha verde é o chão... se o chão fosse horizontal, o alcance seria a distância entre os dois tanques)
Se não houver vento, nem resistência do ar (e...), a resposta correcta é 45 graus. Porquê?
A equação do movimento do projéctil (o míssil do meu jogo) é
{x=x0+(v0cosθ0)ty=y0+(v0senθ0)t−12gt2
onde (x0,y0) são as coordenadas do local de lançamento (o meu tanque da esquerda), v0 é o módulo da velocidade de lançamento (ou velocidade inicial), e θ0 é o tal ângulo (deixei um indice zero porque é o ângulo inicial que o vector velocidade faz com a direcção do semi-eixo positivo das abcissas), g é o módulo da aceleração da gravidade e t é o tempo desde o momento de lançamento, e naturalmente está no intervalo [0,tmax] onde tmax, chamado "tempo de voo", é o instante quando o projéctil atinge a mesma altura que tinha quando foi lançado. Para facilitar os cálculos, e sem perder qualquer generalidade vou considerar que o ponto de lançamento (onde está o primeiro tanque) é a origem das coordenadas, ou seja, é o ponto (0,0).
Assim ficamos com
{x=(v0cosθ0)ty=(v0senθ0)t−12gt2
no ponto onde o projectil atinge o solo ( ou o outro tanque, se lá estiver ) temos (x,y)=(xmax,0)
aquele xmax é justamente o tal alcance. Então
{xmax=(v0cosθ0)tmax0=(v0senθ0)tmax−12gt2max
Como tmax>0 então{xmax=2v20cosθ0senθ0g=v20sen(2θ0)gtmax=2v0senθ0g
xmax é máximo quando sen(2θ0)=1 como, dadas as limitações geométricas do problema, θ0 tem de estar entre 00 e 900 então 2θ0=900 logo θ0=450.
O olho mais atento notará que a equação do movimento de um projectil, "pode descrever" uma parábola (aquela mesma parábola do texto das cónicas). É "pode descever" porque se θ0 for 900, aquilo parametriza outra coisa. Nem é preciso fazer contas para dizer o quê...
Claro que do ponto de vista físico podem se fazer outras deduções, que para alguém de Matemática não passam de curiosidades, como por exemplo, a altura máxima, o tempo de subida, a equação da trajectória... etc. São apenas contas. E simples.
Sobre o jogo... no máximo gravo um vídeo e ponho no youtube. Quem tiver curiosidade que escreva um. Eu ainda consigo escrevê-lo e pô-lo a correr... no Geogebra!
"O que se aprende na juventude dura a vida inteira."(Francisco de Quevedo)
Este problema também veio do facebook, da página "Mathematics is poetry". Tem uma resolução bastante simples, dependendo da matemática que se sabe, e várias outras mais trabalhosas.
Esta ocorreu-me porque eu conheço
Num triângulo de lados a,b e c a área é dada por AΔ=√s(s−a)(s−b)(s−c) onde s é o semiperímetro s=a+b+c2
A demonstração desta fórmula não é complicada. Encontra-se online, mas deixo como exercício ao leitor interessado (eu sei que não é complicada porque eu próprio a fiz quando tinha 16 anos).
Num triângulo de lados a,b e c, se chamarmos A ao lado oposto a a, B ao lado oposto a b e C ao lado oposto a c.
A área é dada por qualquer uma das fórmulas: Área=AΔ=12absenC=12acsenB=12bcsenA
Onde se comete o "abuso de linguagem" de confundir o vértice com o ângulo interno correspondente a esse vértice.
A demonstração desta fórmula também não é complicada. É mais simples que a da fórmula de Herão, e também deixo como exercício.
e
Num triângulo de lados a,b e c, se chamarmos A ao lado oposto a a, B ao lado oposto a b e C ao lado oposto a c.
Temos senAa=senBb=senCc
Eu aprendi isto no secundário, com outra demonstração. Mas poucos anos mais tarde (1996?) numa conversa com o professor Egídio Pereira, ele sugeriu esta demonstração, que, "recentemente" reencontrei em alguns livros do secundário, como exercício, no tempo das "Metas curriculares". Deixar algumas coisas como exercício em vez de mandar consultar livros é bem mais didáctico! Sabem, odeio a expressão "conheço a demonstração", embora desta vez, conhecer esta demonstração tenha me permitido resolver este desta forma.
Seja r o raio da circunferência circunscrita ao triângulo.
Se construirmos o ponto A′ como sendo a intersecção da recta que passa por B e pelo centro da circunferência com a circunferência com a circunferência, o angulo interno A′ mede o mesmo que o ângulo interno A. Isto acontece porque são ângulos inscritos na mesma circunferência, correspondentes ao mesmo arco. O triângulo [A′BC] é rectângulo. E então senA=senA′=a2r logo, 2r=asenA
Eu posso fazer "o mesmo" em qualquer um dos outros vértices. Daqui tiramos:
2r=asenA=bsenB=csenC de onde sai o resultado.
Se r for o raio daquela circunferência, a,b,c os lados do triângulo e A,B,C os vértices opostos aos lados correspondentemente, temos que 2r=csenC
(utilizando o abuso de linguagem de identificar a medida do ângulo interno como o vértice correspondente) e que a área do triângulo é AΔ=12absenC logo
r=c2senC=c2×2AΔab=abc4AΔ
Assim sendo
s=9+10+112=10+202=5+10=15
e então
r=9×10×114√15(15−9)(15−10)(15−11)=9×10×114√15×6×5×4=
Esta resolução, também vai com dedicatórias. Á professora Celina Andrade que me aturou no secundário, e me ensinou a lei dos senos, ao professor Orlando Freitas que no 9º ano me ensinou as relações entre arcos e ângulos numa circunferência e ao professor Egídio Pereira que me deu a conhecer aquela demonstração da lei dos senos.
Os próximos textos sobre cónicas vão ter dedicatórias.
Vou dedicar este post a duas pessoas. Ao meu pai (ontem foi dia do pai), e à professora Celina Andrade que em 1994/95 me apresentou as cónicas no ensino secundário.
Como consequência do texto P o primo do π decidi escrever uma sequência de alguns posts dedicados a cónicas.
Neste primeiro texto vou apenas definir cónicas, de três formas diferentes. Nesta sequência de textos não vou demonstrar algumas afirmações, não porque seja difícil, mas porque já tive nas mãos fichas de exercícios de algumas faculdades que propõem essas demonstrações como exercícios. Não estou interessado que que este blog seja uma fonte de copianço, por isso, neste post, tudo o que eu não provar, deixo como exercício para o leitor interessado. Curiosamentte, eu aprendi e foram-me feitas as demonstrações de muitas destas coisas em aulas quando eu estava no secundário. Se calhar ainda escrevo as provas em LATEX e guardo algures.
No final de cada texto haverá uma lista de exercícios, com soluções mas sem resoluções (pelo menos inicialmente). A ideia é resolvê-los recorrendo apenas ao conteúdo do texto.
Em 1994, na Escola Secundária Francisco Franco, o grupo de estágio de professores de Matemática costumava propor problemas, e premiar as resoluções. Eu era aluno do 11º ano. Resolvi um problema, julgo que sobre transporte de soldados. Ganhei o prémio: a minha primeira calculadora gráfica programável. Uma Casio fx-6300G. Aprendi imenso com essa calculadora e com o manual. Por exemplo, foi lá que vi pela primeira vez o conceito de integral definido, e foi graças a essa calculadora que aprendi a integrar. Atenção: a calculadora não tem computação algébrica, nem sequer integrais, mas no capítulo onde ensina a programar tem como exemplo a regra de Simpson, e quem escreveu aquele manual fez um bom trabalho. Em 1994, eu nem tinha computador. Como eu disse, aprendi imenso com essa calculadora e com o manual. Escrevi alguns dos meus primeiros programas (e até jogos), que se revelaram ferramentas bem úteis na compreensão de alguns conceitos nomeadamente em Física e Matemática.
Sem a calculadora também chegaria lá, só levaria mais tempo (só por curiosidade... tanto antes como depois de ter calculadora, até ao fim do secundário sempre tive a nota máxima a Matemática)
Aquela calculadora tinha apenas 400 bytes de memória. Portanto o código era escrito de forma optimizada e sem comentários.
Um dos meus primeiros programas foi de cónicas. Não pensem que fazia algo 'óbvio' que até já vem nas calculadoras actuais. O que esse programa fazia (e se calhar, como fazia), será assunto de um texto futuro e de mais um documento para a secção de material deste blog. Como sempre, é apenas Matemática.
Versão 1: Secções de uma superfície cónica.
Com um título destes se calhar eu devia definir rigorosamente o que é uma superfície cónica, mas não o vou fazer.
Como eu já disse algumas vezes, o excesso de rigor, não é didáctico, e acabamos a criar "monstros abstractos", que conseguem por pessoas a disparatar sem ter noção que estão a disparatar. Assim sendo gerei e partilho uma animação feita com o auxílio do geogebra. (Foi gerada a partir de equações paramétricas que deduzi "em cima do joelho", e isso não se faz sem saber definir as coisas rigorosamente...)
A partir desta animação, quem estiver mesmo interessado consegue escrever uma definição rigorosa de superfície cónica.
Ou seja, é uma coisa destas: Quem se atrever a utilizar um desenho/imagem como "definição rigorosa", está convidado a deixar de ler este texto e a não voltar...
Uma parábola é a curva que se obtém quando se intersecta um plano estritamente paralelo a uma geratriz (qualquer recta inscrita na superfície cónica) com a superfície cónica.
Uma elipse é a curva que se obtém quando se intersecta um plano não paralelo a uma geratriz (qualquer recta inscrita na superfície cónica) com apenas uma das folhas da superfície cónica.
(Assim, nesta definição, uma circunferência é um caso particular de uma elipse)
Se o plano intercectar as duas folhas (e não o fizer numa recta) obtemos uma hipérbole.
(As imagens de fundo cinzento vieram da Wikipedia, mas são facilmente geravei no Geogebra, no Wolfram Mathematica, etc...)
Versão 2: Propriedades focais.
Elipse
Elipse é o conjunto dos pontos de um plano tais que é constante a soma das suas distancias a dois pontos fixos, desse plano, chamados focos.
Na animação ¯PF1+¯PF2=constante.
Hipérbole
Hipérbole é o conjunto dos pontos de um plano tais que é constante a diferença em módulo das suas diferenças a dois pontos fixos, desse plano, chamados focos Essa diferença é inferior à distância entre os focos.
Na animação |¯PF1−¯PF2|=constante.
Parábola
Considere-se uma recta d e um ponto F exterior à recta. Ao conjunto dos pontos P do plano que são equidistantes do ponto F e da recta d chamamos parábola.
O ponto F chama-se foco e a recta d chama-se directriz.
Versão 3: Foco e directriz
Cónica
Considere-se uma recta d e um ponto F exterior à recta.
Ao conjunto dos pontos P do plano em que a razão entre a distância ao ponto F e a distância à recta d é constante chamamos cónica.
O ponto F chama-se foco a recta d chama-se directriz. e a tal razão constante chama-se excentricidade. Com esta definição faz sentido que a excentricidade seja estritamente maior do que zero.
Se a excentricidade for inferior a 1 a cónica designa-se elipse.
Se a excentricidade for igual a 1 a cónica designa-se parábola.(Coincide com a versão 2)
Se a excentricidade for superior a 1 a cónica designa-se hipérbole.
Estes focos coincidem com os da versão 2.
Estas três definições são "quase equivalentes" (permitam-me o abuso de linguagem). Não é verdade que as 3 sejam equivalentes sem proceder a alguns ajustes. As versões 1 e 2 permitem enquadrar a circunferência como uma elipse. A versão 3 precisa de algumas afinações para isso acontecer. A equivalência entre as versões 1 e 2 pode ser provada recorrendo às esferas de Dandelin . A primeira vez que a vi foi no livro Calculus vol I de Tom M. Apostol. (Sem querer ser mau, tenha em conta que o livro já tem alguns anos, e sugiro a quem o quiser consultar, se tiver hipótese, que evite traduções... recorra ao original).
(Sugiro, sem recorrer a tecnologias, a quem estiver interessado no próximo post)
Nota: eu sou o autor destes exercícios e das soluções.
A elipse da animação na versão 2 tem focos nos pontos de coordenadas F1(4,3) e F2(−4,−3), e a constante da definição (versão 2) é 12. Determine:
As equações reduzidas as rectas a tracejado representadas na figura.
y=34x e y=−43x
A excentricidade da elipse, e as equações das possíveis diretrizes.(Ver versão 3)
Directrizes: y=−43x+30425 e y=−43x−30425 Excentricidade: e=56
Uma equação cartesiana da elipse na forma Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F=0, (A,B,C,D,E,F são números reais). Recorra apenas à distância euclidiana e às definições contidas neste texto.
20x2−24xy+27y2−396=0
Agora, considere uma hipérbole que tem focos nos pontos de coordenadas F1(4,3) e F2(−4,−3), e a constante da definição (versão 2) é 8. Determine:
As equações reduzidas das possíveis directrizes, e a excentricidade da hipérbole.(Ver versão 3)
Directrizes:y=−43x+163 e y=−43x−163 Excentricidade e=54
Uma equação cartesiana da hipérbole na forma Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F=0, (A,B,C,D,E,F são números reais). Recorra apenas à distância euclidiana e às definições contidas neste texto.
7y2−24xy+144=0
As equações reduzidas das assímptotas. Note que esta hiperbole tem duas assimptotas (oblíquas).
y=0 e y=247x
Continuando a não recorrer a informações sobre cónicas fora das dadas neste texto, determine as coordenadas dos focos. equações reduzidas das directrizes, e directrizes da hipérbole de equação xy=1.
Focos:(√2,√2) e (−√2,−√2) Excentricidade e=√2 Directrizes y=−x+√2 e y=−x−√2
Considere a parábola de foco no ponto de coordenadas (0,5) e directriz a recta de equação y=0.
Escreva uma equação dessa parábola, na forma y=ax2+c
y=110x2+52
A partir da equação da alínea anterior, escreva, na forma Ax2+Bxy+Cy2+Dx+Ey+F=0 uma equação da parábola de foco no ponto de coordenadas (4,3) e directriz de equação y=−34x. A,B,C,D,E,F devem ser números inteiros.
16x2−24xy+9y2−150x−200y+625=0
PS:
Chamo à atenção que eu, propositadamente, nos exercícios pus soluções sem resoluções. Não é suposto usar 'equações reduzidas' de hiperboles nem de elipses nem 'reduções aos eixos principais', nem estudo algébrico de formas quadráticas... isso fica para textos futuros. Permito o uso de matrizes rotação (mas não obrigo). Para além de coisas elementares (distâncias euclidianas, quadrados de binómios, principio de equivalência de equações)...também podem (mas não precisam de) usar a fórmula da "distância de um ponto a uma recta" se souberem, se não souberem e tiverem curiosidade usem este botão:
Distância do ponto de coordenadas (x0,y0) à recta de equação ax+by+c=0d=|ax0+by0+c|√a2+b2
Não é para usar ferramentas 'não elementares', e eu tenho noção que com esta limitação, as resoluções podem ser bem chatas. Usem a imaginação. Já agora, as IAs a que eu recorri disparataram, por isso tenho mesmo curiosidade em saber se alguém chega a resoluções correctas. [Elas existem e não são únicas!]
Enquanto esperam os textos sobre cónicas, tomem um exercício com cones.
Este tamém veio do facebook, mas não consigo descobrir a fonte original (se alguém souber que me envie)
Temos um cone. O volume azul da primeira figura é igual ao azul da segunda, e as duas representam o mesmo cone. Qual é a altura do cone?
1+√85 cm
Neste tipo de problemas, um esquema, e juntar algumas letras ajuda sempre. No esquema todas as medidas estão em centímetros.
Como consequẽncia da semelhança de triângulos (justifique essa semelhança) temos:
HR=8r=H−2a
Portanto, r=8RH e a=(H−2)⋅RH.
Por outro lado a igualdade de volumes escreve-se matematicamente desta forma:
13πR2H−13πr2⋅8=13πa2(H−2)⇔13πR2H−13π⋅83R2H2=13π(H−2)3R2H2⇔13πR2H2(H3−83)=13πR2H2(H−2)3⇔H3−83=(H−2)3⇔H3−512=H3−6H2+12H−8⇔6H2−12H+504=0⇔H2−2H+84=0⇔H=1±√1+84=1±√85
Como H é a altura do cone tem de ser positiva, logo H=1+√85
Suponhamos que temos uma curva, em Rn parametrizada pela função γ:I⊆R→Rn
Rigorosamente, gosto de chamar a estas curvas linhas parametrizadas mas percebi que cada um chama o que lhe apetecer. Se I for um intervalo limitado e fechado [a,b], chamamos à curva caminho e o comprimento do caminho é dado por.
L(γ)=b∫a‖γ′(t)‖dt
Eu aprendi isto na licenciatura,mas isto encontra-se em vários livros de análise e cálculo em Rn (Com demonstrações correctas).
Por exemplo, a circunferência de centro (a,b) e raio r>0 pode ser parametrizada por
γ(t)=(a+rcost,b+rsent),t∈[0,2π]
e o comprimento da circunferência (ou se preferirem, o perímetro da circunferência) é dado por:
L(γ)=2π∫0‖γ′(t)‖dt=2π∫0‖(−rsent,rcost)‖dt=2π∫0√(−rsent)2+(rcost)2dt=2π∫0√r2(sent)2+r2(cost)2dt=2π∫0√r2dt=2π∫0rdt=2πr
É óbvio que o centro não poderia interferir no perímetro da circunferência, e dada a definição história de π, este exercício é bem estúpido. Mas pronto, é uma verificação, e vou repetir a estupidez mais uma vez neste post.
O gráfico de uma função f contínua no intervalo [a,b] é um caminho que pode ser parametrizado pela parametrização canónica: γ(t)=(t,f(t)),t∈[a,b]
e o seu comprimento é, naturalmente
L(γ)=b∫a‖γ′(t)‖dt=b∫a‖(1,f′(t))‖dt=b∫a√1+(f′(t))2dt
Fórmula que já usei aqui neste blog, no post P, o primo do π
(é por causa desse texto, que estou a escrever este... é que eu tenciono usar isto, para, bem, depois se tiverem curiosidade, virão cá ver)
Uma curva em coordenadas polares, r=ρ(θ),θ∈[θ1,θ2] pode ser parametrizada por
γ(t)=(ρ(t)cost,ρ(t)sent),t∈[θ1,θ2]
E o seu comprimento é então
L(γ)=θ2∫θ1‖γ′(t)‖dt=θ2∫θ1‖(ρ′(t)cost−ρ(t)sent,ρ′(t)sent+ρ(t)cost)‖dt=θ2∫θ1√(ρ′(t)cost−ρ(t)sent)2+(ρ′(t)sent+ρ(t)cost)2dt=θ2∫θ1√(ρ′(t)cost)2−2ρ′(t)ρ(t)costsent+(ρ(t)sent)2+(ρ′(t)sent)2+2ρ′(t)ρ(t)costsent+(ρ(t)cost)2dt=θ2∫θ1√(ρ′(t)cost)2+(ρ(t)sent)2+(ρ′(t)sent)2+(ρ(t)cost)2dt=θ2∫θ1√(ρ(t))2+(ρ′(t))2dt
(Eu gosto do aspecto desta fórmula...)
Vamos a mais um exempo "estúpido"? Uma circunferência de raio R (R>0), e centro na origem, tem como equação,em coordenadas polares, r=R, ou seja ρ(θ)=R com θ∈[0,2π]
então, (risos)
L(γ)=2π∫0√(ρ(t))2+(ρ′(t))2dt=2π∫0√R2+02=2πR
Daqui a uns tempos uso isto para coisas mais engraçadas.